A CONSTRUÇÃO CULTURAL DA FEMINILIDADE E SUA RELAÇÃO COM A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER: UM OLHAR SOBRE AS EXPECTATIVAS DE GÊNERO NO BRASIL
Autores: NICOLE DE JESUS PEREIRA ROCHA; RENATA MALDONADO SILVEIRA ROMÃO
Palavras-chave: Violência contra a mulher; gênero; educação patriarcal; desigualdade social; Lei Maria da Penha.
Resumo
O presente artigo tem por motivação o indicativo que em 2025, o Brasil registrou 155.111
denúncias de violência contra a mulher, evidenciando que a violência de gênero é uma
profunda violação de direitos fundamentais enraizada em construções sociais históricas. A
educação patriarcal frequentemente induz a naturalização da submissão e o apego a
relações nocivas. Assim, pretende-se analisar como as construções socioculturais e as
expectativas de gênero, desde a infância, manifestas em contos de fadas, disparidades
educativas e discursos religiosos, operam na perpetuação da violência contra a mulher. A
metodologia adotada é da revisão bibliográfica e documental de natureza qualitativa,
amparada na Constituição Federal, na Lei Maria da Penha e no referencial teórico de
Marilena Chauí, Heleieth Saffioti, Marcela Ceribelli, Pierre Bourdieu e Simone de Beauvoir,
além de dados publicados por secretarias de segurança pública. O estudo inicial aponta que
a desigualdade de gênero ultrapassa a esfera individual, estruturando-se na base educacional
que legitima papéis assimétricos de dominação e subordinação desde a infância. E que a
reconstrução social das práticas educativas infantis é indispensável para superar a violência
de gênero, conferindo eficácia transformadora aos marcos protetivos no cenário que
celebra os 20 anos da Lei Maria da Penha no Brasil contemporâneo.